O consumismo em Portugal
Antes de explanar o tema, acho que é necessário saber exactamente o que é o consumismo.
“Consumismo é o ato de consumir produtos e/ou serviços, indiscriminadamente, sem noção de que podem ser nocivos ou prejudiciais para a nossa saúde ou para o ambiente”, ou seja, consumismo não é adquirir bens a subsistência diária mas sim bens dos quais não necessitamos para a nossa sobrevivência.
Em Portugal, ao longo dos últimos anos os níveis de consumismo dos Portugueses têm aumentado. Não por necessidade, mas sim por capricho e ostentação.
Na minha opinião, o factor principal para isto terá sido a globalização, um fenómeno de abertura das economias e das respectivas fronteiras em resultado do acentuado crescimento das trocas internacionais de mercadorias, ou seja, o que existe por exemplo nos Estados Unidos da América, poderá estar igualmente para venda em Portugal.
O que aconteceu com Portugal é que, após 25 de Abril de 1974, o país tornou se membro de um Comunidade maior como a União Europeia, e teve igual abertura a mercados maiores e mais apetitosos, o problema é que o português, nunca teve bem a noção que a sua capacidade de compra nunca será igual ao de outros grandes países, e com tal compra desalmadamente para se tentarem igualar aos outros.
O problema infelizmente afecta a todos, vivemos numa sociedade em que as pessoas são julgadas pelo que têm e não por quem são, e posso falar por experiência própria, uma vez que diariamente vivo numa comunidade escolar, onde vejo claramente que quem não têm os sapatos de marca X “não é ninguém”. O problema começa logo nas camadas jovens, uma camada que à partida deveria ter uma mente mais aberta e com uma forma diferente de ver as atitudes e valores das gerações anteriores, e como tal contraria-la, mas este problema também parte das camadas jovens, há que ter em atenção este facto.
O consumismo também chega as camadas políticas. Temos governantes que tem gastos desnecessários endividando o país, fazendo compras desnecessárias para o país, como o famoso caso dos submarinos.
Outra camada afectada, será a classe activa trabalhadora, que apesar de saber que o seu ordenado é 500 euros, gosta de gastar antes 1000 euros. São uma classe que vive muito da ostentação e da imagem que deixam transparecer e como tal, tem gastos desnecessários em bens como carros ou casas. O problema é que muitas das vezes, para terem estes mesmo bens, tem de recorrer a empréstimos, o que tem vindo a aumentar exponencialmente nos últimos anos, e que tem levando muitas famílias à ruína, uma vez que chegam ao ponto de não ter dinheiro para cobrir aquela divida, por sua vez o bem adquirido é levado pelo banco, e acabam por ficar até ao fim da vida, quando a divida não passa para os filhos, a pagar o empréstimo e o bem que lhes foi levado.
Concluo-o que os portugueses são pessoas supérfluas, que se preocupam muito mais no seu apetrechamento físico e não intelectual. Veja-mos uma comparação entre Portugal e a Holanda, um país onde o nível de vida é muito superior e onde as mentalidades estão muito mais desenvolvidas. Os portugueses preferem gastar em roupas e carros, enquanto os holandeses gastam o seu dinheiro em viagens, uma forma de se enriquecerem culturalmente.
“ O consumismo dos portugueses
10 Novembro 2007 DN
"Os portugueses são mais consumistas do que os holandeses." O tom da frase mostra que Rita do Vale não tem sombra de dúvida. Sabe do que fala, porque viveu durante quatro anos na Holanda. Foi lá que fez a sua tese de doutoramento, na universidade de Tilburg, no Sul do país, justamente sobre comportamentos dos consumidores.
A sua tese não incidiu nestas comparações. O trabalho que fez centrou-se sobre os comportamentos de autocontrolo no consumo. Mas quatro anos dão para ver as diferenças a este nível. "Os portugueses preocupam-se muito com a sua imagem e consomem produtos de marca em carros e roupa, o que ajuda a explicar o elevado nível de endividamento das famílias portuguesas.
"Os holandeses não estão preocupados com a imagem exterior. Isso vê-se, por exemplo, nos centros comerciais deles, que são muito menos vistosos do que os de cá".
O que consomem então os holandeses? "Sobretudo viagens". Um perfil que agradou à bolseira de doutoramento que Rita do Vale foi durante quatro anos na Holanda.
O regresso a Portugal, no final de 2006, foi um misto de entusiasmo e expectativa, por voltar ao país, à família e aos amigos, e alguma dificuldade de adaptação a todo esse universo que, afinal, já não era exactamente o mesmo. "É quase como voltar a um país estrangeiro que se conhece bem", diz a investigadora. “
Assim, concluo que os portugueses têm ainda muito a aprender, os portugueses apreendem só dos outros países aquilo que querem. Em vez de se preocuparem em seguir as modas de Milão, deviam estar mais interessados em ir até lá, aprender detalhes da cultura deles, por exemplo.
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